Eleita no domingo (4) com mais de meio milhão de votos, Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), de 21 anos, foi às redes sociais quatro dias depois para denunciar ameaças de morte e de estupro. Segundo ela, as mensagens com ameaças de assassinato chegavam a cada dois minutos.
A deputada eleita afirma que as intimidações aumentaram depois que passou a ajudar na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. Na noite de quinta-feira (8), disse que a situação se agravou com publicações do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), a quem acusa de disseminar conteúdos falsos a seu respeito.
“Acontece que agora, com as postagens do deputado federal Nikolas Ferreira, estou sofrendo mais ameaças de morte”, afirmou em vídeo no Instagram.
Entre os conteúdos compartilhados está uma captura de tela que atribui a Ana Elisa uma publicação de 2022 na qual ela teria pedido a Lula o fechamento de igrejas. A petista nega a autoria, classifica a imagem como montagem e anunciou que pretende acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ao reproduzir o conteúdo, Nikolas escreveu: “Já virei voto demais com isso aqui”.
Ana Elisa também denunciou montagens e publicações destinadas a ridicularizá-la. Nos vídeos, disse que esperava discutir ideias e propostas e relacionou as intimidações à violência enfrentada por mulheres negras na política.
“A gente sabe o que eles fazem com uma mulher preta na política”, afirmou.
A preocupação relatada por ela vai além das mensagens recebidas. Ana Elisa denunciou a exposição de seu endereço, telefone e documentos, além de ataques racistas e machistas.
“Eu estou totalmente vulnerável”, disse. Segundo a deputada eleita, naquela noite ainda não havia uma força-tarefa de segurança para protegê-la.
Mais cedo, na quinta-feira, ela havia informado que o PT estava ajudando a providenciar proteção e que havia previsão de escolta quando retornasse a Minas Gerais.
As ameaças antecedem sua participação na campanha de Lula. Em 5 de setembro, durante a disputa eleitoral, Ana Elisa recebeu um e-mail cujo remetente se apresentou como integrante de um grupo supremacista branco. A mensagem continha ameaças de violência sexual e intimidações contra seus familiares. O caso é investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais.
Ana Elisa disputou sua primeira eleição neste ano e conquistou 524.219 votos. Foi a segunda candidata mais votada para a Câmara dos Deputados em Minas Gerais e a mulher com a maior votação para o cargo na história do estado.
Natural de Divinópolis e estudante de Direito, ganhou projeção com vídeos sobre política, racismo, feminismo e direitos sociais. Com linguagem direta, vídeos curtos e milhões de seguidores, construiu nas redes a presença que marcou sua campanha eleitoral.
Esse alcance levou ao convite para reforçar a comunicação digital de Lula no segundo turno. Na quarta-feira (7), Ana Elisa participou de uma reunião com o presidente e integrantes da campanha em Brasília para discutir como ampliar o diálogo com os eleitores nas plataformas digitais, especialmente com o público jovem.
