DISPUTA DIGITAL Notícia / reportagem

“Exército do Lula” amanhece fora do ar no dia previsto para votação da 6×1

Canal reunia 4,3 milhões de inscritos; “Tropa do Flávio” também só teve o endereço do WhatsApp comunicado ao TSE na terça, sem ordem equivalente de suspensão identificada

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O “Exército do Lula”, canal de WhatsApp coordenado pelo deputado André Janones, amanheceu fora do ar nesta quarta-feira (14), com 4,3 milhões de inscritos. Segundo o parlamentar, o bloqueio ocorreu às 23h26 de terça-feira (13), após decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques.

A suspensão interrompe uma central de mobilização no dia em que o Senado pode votar a PEC do fim da escala 6×1, uma das bandeiras da campanha de Lula. O canal distribuía vídeos, orientações para compartilhamento e campanhas de hashtags. O bloqueio impede novas publicações para essa audiência justamente durante o debate sobre a redução da jornada de trabalho.

A proposta prevê a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial. O governo tenta concluir os dois turnos nesta quarta, o que depende da aprovação de um calendário especial.

Dois canais, medidas diferentes

A “Tropa do Flávio”, com cerca de 1,4 milhão de seguidores, também não tinha a URL do WhatsApp informada ao TSE. A campanha de Flávio Bolsonaro havia comunicado apenas um site que direcionava ao canal e apresentou o endereço direto na terça, às 15h50. A inclusão foi certificada às 16h24, depois do registro do “Exército do Lula”.

Segundo apuração do ICL Notícias, não foi identificada ordem equivalente de suspensão por 48 horas para o canal bolsonarista. A defesa de Flávio sustenta que a comunicação do site já atendia às exigências e que o complemento foi feito por cautela.

No caso do canal de Janones, Nunes Marques manteve o intervalo de 48 horas após o registro. Janones chamou a medida de censura e questionou o momento do bloqueio diante da votação da 6×1.

Como a disputa chegou até aqui

QuandoO que aconteceu
AbrilJanones cria o canal, inicialmente usado para troca de ideias entre apoiadores.
4 a 7 de outubroApós o primeiro turno, o espaço vira uma central de mobilização pró-Lula e ultrapassa dois milhões de inscritos.
10 de outubroCueva analisa a ação da campanha de Flávio e cobra documentos que comprovem as acusações antes de decidir sobre o bloqueio.
11 de outubroNunes Marques manda suspender o canal. Horas depois, Cueva restabelece o funcionamento por considerar insuficientes as provas e pede análise urgente pelo plenário.
12 de outubroA área técnica do TSE não encontra os conteúdos denunciados nas mensagens examinadas, mas registra limitações por publicações apagadas ou editadas.
13 de outubro — manhãNunes Marques volta a suspender o canal e exige registro na Justiça Eleitoral.
13 de outubro — tardeAs duas campanhas comunicam os endereços dos canais. O registro do “Exército do Lula” é certificado às 12h17; o da “Tropa do Flávio”, às 16h24. A retomada do canal de Janones fica condicionada a 48 horas após a comunicação.
13 de outubro — noiteO canal de Janones é retirado do ar às 23h26, segundo o deputado.
14 de outubroO “Exército do Lula” amanhece bloqueado no dia previsto para a votação da PEC da 6×1 no Senado.

Cueva reforçou na terça-feira o pedido de que o impasse seja discutido com urgência pelo plenário do TSE, em sessão presencial ou virtual. O corregedor apontou a proximidade do segundo turno e a necessidade de uma decisão conjunta dos ministros para resolver a disputa de competências.