Abrir a Netflix para fugir dos comerciais da televisão já foi parte do apelo do streaming. Em 2026, a experiência está tomando outro rumo: o assinante continua pagando, mas passa cada vez mais tempo assistindo a anúncios.
Nos Estados Unidos, a quantidade média de publicidade exibida pelos principais serviços de streaming cresceu 18% entre janeiro e agosto, segundo levantamento da Ampere Analysis divulgado pelo Business Insider. Em agosto, as plataformas analisadas mostravam pouco mais de cinco minutos de comerciais por hora, em média.
A diferença entre os serviços é grande. O Paramount+ já passa de nove minutos de anúncios por hora. Disney+ e Hulu ficam entre aproximadamente 7,5 e 8,5 minutos. A Netflix continua entre as plataformas com menor carga publicitária, abaixo de 2,5 minutos por hora, embora tenha registrado o maior crescimento proporcional no período. O Prime Video foi a única grande plataforma analisada a reduzir a quantidade de anúncios.
Não se trata apenas de uma mudança na experiência de quem assiste. É uma transformação do negócio.
Depois de anos disputando assinantes a qualquer custo, as empresas de streaming passaram a procurar maneiras de ganhar mais dinheiro com quem já está dentro da plataforma. E o assinante do plano com anúncios pode valer duas vezes: paga uma mensalidade e ainda gera receita publicitária.
A Netflix é um exemplo do tamanho dessa aposta. A empresa afirma que seu plano com publicidade alcança mais de 250 milhões de espectadores ativos mensais no mundo. No Brasil, são mais de 35 milhões. A companhia também informou que quase dobrou os compromissos publicitários fechados nos Estados Unidos neste ano.
Para o consumidor, o acordo é apresentado de forma simples: aceitar publicidade em troca de uma assinatura mais barata. O problema é que nada garante que a quantidade de anúncios permaneça pequena à medida que esse mercado amadurece.
É justamente aí que o streaming começa a se aproximar do sistema que ajudou a desmontar.
Primeiro vieram várias plataformas, cada uma com sua própria mensalidade. Depois, pacotes, transmissões ao vivo e planos com publicidade. Agora, os intervalos ficam maiores.
A televisão não voltou exatamente como era. Mas algumas de suas características estão sendo reconstruídas dentro das plataformas que prometeram uma experiência diferente.
A pergunta talvez já não seja apenas qual streaming vale a assinatura.
É quanto estamos dispostos a pagar — em dinheiro e em minutos de publicidade — para continuar assistindo.