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Gaslighting vira suspense em ‘Eu Não Era Louca, Era Casada’, nova novela vertical do Globoplay

Com Fernanda Rodrigues no papel principal, produção estreia nesta terça (06) e transforma manipulação, dúvida e perda de confiança na própria percepção em suspense psicológico

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Fernanda Rodrigues, Barbara Reis e Ricardo Pereira em nova novela vertical do Globoplay

Existe uma violência que nem sempre deixa marcas visíveis. Ela não precisa de gritos, agressões ou ameaças explícitas. Às vezes, começa de forma muito mais silenciosa: fazendo uma pessoa acreditar que não pode confiar na própria memória, nas próprias percepções ou até nos próprios sentimentos.

É esse o ponto de partida de Eu Não Era Louca, Era Casada, novelinha vertical original do Globoplay que coloca o gaslighting no centro de uma história de suspense psicológico. O elenco reúne nomes conhecidos da televisão brasileira, como Fernanda Rodrigues, Ricardo Pereira, Barbara Reis, Danielle Winits, Daniel Rocha e Ilvio Amaral.

Na trama, Beatriz, personagem de Fernanda Rodrigues, tem a própria realidade questionada. O que ela lembra passa a ser colocado em dúvida. Situações são distorcidas. Pessoas ao seu redor a fazem questionar a própria sanidade, até que ela começa a acreditar que talvez esteja realmente enlouquecendo.

É aí que a história deixa de ser apenas um suspense sobre uma mulher tentando descobrir quem está por trás de uma armação e passa a tocar em algo muito mais próximo da realidade: como a manipulação psicológica pode fazer alguém perder, pouco a pouco, a confiança em si mesma.

Uma violência que não acontece de uma hora para outra

Vitor (Ricardo Pereira) e Beatriz (Fernanda Rodrigues) – Foto: Divulgação Globoplay

O gaslighting raramente aparece de forma escancarada. Ele surge em pequenas situações: alguém insiste que determinada conversa nunca aconteceu, que uma lembrança está errada ou que uma reação foi exagerada. Com o tempo, a vítima pode passar a questionar a própria percepção e a depender cada vez mais da versão apresentada pelo agressor.

Na novelinha, essa dinâmica ganha contornos extremos. Beatriz acaba internada em uma clínica psiquiátrica enquanto aqueles que deveriam estar ao seu lado passam a controlar a narrativa sobre o que acontece com ela.

Um dos pontos mais interessantes da produção é que o público acompanha a história tendo acesso à dúvida da protagonista. Assim como Beatriz, quem assiste também precisa tentar entender o que é verdade e o que está sendo manipulado.

Para Danielle Winits, o tema é urgente, e a dramaturgia tem um papel fundamental ao abordá-lo:”Eu achei fantástica essa abordagem a respeito do gaslighting. Ele é parte integrante dessa gama gigantesca de violências contra a mulher e precisa, mais do que necessita, estar hoje em dia dentro do contexto da dramaturgia também, porque senão fica só nesse âmbito informativo e investigativo. E o entretenimento pode levar a muitas pessoas essa visão do que de fato é. Eu fico feliz que seja no formato vertical, porque ele permite que as pessoas tenham o seu momento de assistir ao entretenimento e ainda assim sejam brindadas com insights dentro da própria vida. A gente pode estar modificando uma vida dentro do entretenimento. Isso é incrível.”

Um novo jeito de contar histórias

Eu Não Era Louca, Era Casada é uma produção vertical com 50 episódios de até três minutos, pensada para ser acompanhada pelo celular. Para parte do elenco, o formato representa uma experiência nova.

Durante a coletiva de lançamento, Daniel Rocha destacou o desafio de trabalhar em uma produção construída especificamente para o formato vertical, desde a maneira de gravar até os equipamentos utilizados. É uma mudança importante na forma de contar histórias, sobretudo quando atores com longa trajetória na TV experimentam uma linguagem que nasceu diretamente do consumo de conteúdo pelas telas dos celulares.

Daniel Rocha é um dos protagonistas da nova novela vertical do Globoplay. Foto: divulgação

Mais do que um suspense

Falar sobre gaslighting em uma produção popular significa levar ao entretenimento uma discussão que muita gente ainda tem dificuldade de reconhecer dentro das próprias relações. A ficção pode ajudar a dar nome a comportamentos que, vividos no cotidiano, nem sempre são percebidos de imediato como violência psicológica.

Por isso, a novelinha pode funcionar para além das reviravoltas. A pergunta central não é apenas se Beatriz conseguirá descobrir a verdade, mas até que ponto uma pessoa pode ser levada a desconfiar de si mesma quando todos ao seu redor insistem em contar uma realidade diferente da que ela viveu.

Onde assistir: o minidrama estreia nesta terça-feira (06), com os primeiros episódios gratuitos no Globoplay.

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