Influenciadores digitais

Economia da influência cresce e desafia regras sobre publicidade e poder

Congresso discute regras para um mercado que movimenta dinheiro, publicidade e política — mas ainda funciona com pouca transparência sobre alcance, contratos e responsabilidade

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O influenciador digital deixou de ser apenas alguém que reúne seguidores na internet. Hoje, ele vende produtos, movimenta campanhas, participa de eleições, lança empresas, fecha contratos milionários e, em alguns casos, alcança mais gente do que veículos tradicionais.

Esse poder econômico e político chegou ao Congresso.

Criadores, plataformas, marcas e representantes do poder público participam nesta quinta-feira (10), em Brasília, do Fórum Internacional da Influência Digital. Entre os temas está a ideia de transformar a chamada “economia da influência” em política de Estado.

A discussão parece, à primeira vista, um passo natural de profissionalização. Mas ela também expõe um problema: um mercado capaz de interferir no consumo, na opinião pública e na política cresceu muito mais rápido do que as regras destinadas a controlá-lo.

A publicidade é um dos pontos mais visíveis.

Nem sempre fica claro para o público quando uma recomendação é espontânea ou paga. Mesmo com regras que exigem identificação de conteúdo publicitário, a fronteira entre opinião pessoal e propaganda continua fácil de embaralhar.

Há também uma assimetria importante entre plataformas, marcas e criadores.

Uma mudança de algoritmo pode derrubar a audiência e a renda de alguém de uma semana para outra. Contratos podem prever entregas, exclusividade e uso de imagem sem que pequenos criadores tenham estrutura jurídica para negociar em condições semelhantes às grandes empresas.

Do outro lado, o consumidor também fica vulnerável.

Influenciadores já foram usados para promover apostas, produtos financeiros, tratamentos de saúde e outros serviços capazes de gerar prejuízos reais. A força da publicidade nesse mercado não depende apenas de alcance. Depende da confiança construída entre criador e seguidor.

É justamente essa confiança que torna a influência tão valiosa — e tão difícil de regular.

Projetos em discussão no Congresso tentam estabelecer normas para contratos, publicidade e atuação de crianças e adolescentes como criadores de conteúdo. Mas reconhecer a creator economy como setor econômico não resolve automaticamente seus conflitos.

A pergunta mais importante talvez seja outra.

Se influenciadores passaram a exercer funções semelhantes às de empresas de mídia, agências de publicidade e até atores políticos, também deveriam assumir responsabilidades proporcionais a esse poder?

A economia da influência quer ser reconhecida como indústria.

O desafio agora é decidir se ela também está disposta a ser cobrada como uma.

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